Como admiradora do futebol que sou e, ainda por cima, catarinense, passei a acompanhar os feitos da Chapecoense. Não tinha como não se admirar com o que aquele time, o único de Chapecó, vinha fazendo.

Parecia de repente para quem viu onde eles chegaram. Mas foi uma escalada até o topo para quem viu de onde eles subiram. Desde ficar um ano sem divisão, depois passando pelas Séries D, C, B e, por fim, a Série A. Disputar um campeonato internacional parecia o máximo do máximo. Quem dirá chegar na final… E eles chegaram!

Acho que nada na vida vai me causar a sensação que aquela defesa do Danilo causou. Em todos os sentidos. Tanto pela felicidade quanto pela dúvida… “e se aquela bola tivesse entrado? ”. Mas, ela não entrou. E a Chape estava na final da Copa Sul Americana. Era a primeira vez.

Todo mundo feliz. Jogadores. Torcedores. Brasileiros no geral. É sério. Eu não lembro de outro time ter despertado esse carinho de todos igual o Verdão do Oeste catarinense despertou. Queríamos a mesma coisa. E não lembro de me ver querendo outro brasileiro campeão de algo, por mais que talvez eu devesse querer o melhor para o país ao invés de ver um argentino – por exemplo – levantando a taça.

Mas, vamos ao dia. Digo, o que deveria ser O grande dia. Ou o dia anterior ao grande dia. Aquele que, passe o tempo que passar, todos nós vamos lembrar com muita dor, tristeza e uma eterna dúvida: Por quê?

Era 29 de novembro e eu, não sei por qual motivo, deixei a internet do meu celular ligada durante a noite – dificilmente eu deixo. Acordei um pouco antes do meu despertador e resolvi olhar as mensagens que entravam sem parar no meu WhatsApp. Mas era madrugada. Qual o motivo de tanta movimentação? Certamente algo tinha acontecido.

Não quis acreditar quando comecei a ler – e assimilar – todas aquelas informações que chegavam. “O avião da Chapecoense caiu”. “Parece que quase todo mundo morreu”. Não, não! Não deve ser. Não pode ser. Lágrimas. As primeiras de todas que eu derramaria.

Tive que seguir para o trabalho, onde todo mundo estava assustado. Talvez não tanto quanto eu, mas estavam. Foi o assunto do dia nos lugares, jornais, sites, redes sociais e tudo mais que se pode imaginar. No mundo inteiro. Atletas, times, países, todos se manifestando a respeito da tragédia – que pode muito bem ser chamada de descuido ou falha. Enfim, não vem ao caso.

Chorei enquanto tomava banho, enquanto via o sofrimento das mães, esposas e filhos que ficaram. Também chorei no ônibus, no banco do corredor da faculdade, no meu quarto. Quase desidratando, tentando entender como ou o porquê.

Danilo, ah, Danilo. Quem me dera ter tido o prazer de vê-lo jogar com a camisa do São Paulo. Eu sei que era teu sonho. E, acredite, também era o meu. Quem me dera se, por um momento, você não tivesse feito uma das defesas mais lindas que já vi. Quem me dera, Danilo, se tudo pudesse ter sido diferente.

O jogo, que não aconteceu, foi o que mais me fez sofrer. Pior que qualquer derrota com um gol aos 45 do segundo tempo. Ou, quem sabe, com um pênalti roubado. Com o melhor jogador expulso. Com todos os elementos que deixam qualquer torcedor louco.

O jogo, que não aconteceu, é aquele que mesmo assim eu nunca vou esquecer. Antes, durante ou depois. Dois anos, 730 dias e muitas horas – não sou boa em matemática – se passaram desde então. E mesmo que a vida tenha seguido, eu ainda lembro com dor daquele dia. E daquelas pessoas. E daquelas famílias. E de tudo.