Pare e pense: quantos jogadores você viu, atualmente, abrirem mão de dinheiro para jogar em um clube simplesmente por amor? Se você é são-paulino, provavelmente, o primeiro nome que veio na sua cabeça foi “Diego Lugano”.

O zagueiro uruguaio, adotado como ídolo desde a primeira passagem pelo clube, retornou ao Brasil no início de 2016. Além de receber menos, ele chegou a tirar dinheiro do bolso para poder jogar mais uma vez no São Paulo.

Zagueiro sendo abraçado pelos companheiros de time na última partida. Foto: Twitter

O novo vínculo entre as duas partes era até metade do ano de 2017, mas acabou sendo renovado até dezembro. A partida contra o Bahia, disputada no Morumbi, pela 38ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi a última em que ele vestiu a camisa tricolor como jogador profissional.

Em um ano tão complicado dentro de campo, Lugano teve um papel fundamental fora dele. No vestiário, muitas vezes, puxava a orelha ou segurava as pontas quando necessário. Com os mais novos, criou uma relação tão próxima que pode ser considerado como o “pai” dos garotos da base que foram promovidos recentemente ao time profissional.

Relação com a torcida

Dentro ou fora do Morumbi, Lugano sempre foi um dos jogadores mais ovacionados pelos torcedores. Não era atoa. Além de toda representação em campo, ele também fazia sua parte fora. Na penúltima rodada do Brasileirão, em Curitiba, pude acompanhar de perto e confirmar com os próprios olhos. Na saída do hotel para embarcar no ônibus que os levaria até o Couto Pereira, o uruguaio desceu antes que o restante do time e atendeu todos que estavam na porta para dar apoio. Tirou fotos, distribuiu sorrisos e recebeu em troca “olele, olala, Lugano vem aí e o bicho vai pegar”.

Lugano atendendo torcedores no hotel em Curitiba, no último dia 26.

Torcedor dentro de campo

A paixão pelo clube nunca foi escondida. Lugano, além de vestir a camisa do São Paulo pelo profissionalismo, vestia também por amor. Ao longo desse ano, as câmeras de transmissões dos jogos flagaram o uruguaio vibrando, reclamando, torcendo do banco ou durante o aquecimento dos reservas. Inclusive, ele chegou a ficar suspenso após levar o terceiro cartão amarelo quando estava no banco.

Na vitória contra o Atlético-GO, o uruguaio ficou apreensivo nos momentos em que os adversários ofereceram perigo.

Referência para os mais novos

O F4L entrou em contato com o jovem zagueiro Lyanco (20), que atuou ao lado de Lugano em algumas partidas e hoje está no Torino (ITA). Para ele, o uruguaio é uma inspiração:

O Lugano me deu a honra de aprender com ele. É um cara que ama o que faz e me ensinou a amar também ainda mais a minha posição dentro de campo, temos estilos parecidos. Ele vai deixar saudades no Tricolor e eu agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de jogar ao lado dele. Se eu não estiver enganado, quando atuamos juntos no SPFC não perdemos nenhuma partida, jogamos com a mesma garra e amor pelo clube, ele é a minha referência.”

Lugano e Lyanco treinando juntos, quando foram titulares em algumas partidas. Foto: GazetaPress

Futuro indefinido

Apesar de ter “pendurado as chuteiras”, o uruguaio pode retornar ao São Paulo. Porém, para atuar na diretoria do clube. Ele afirmou em entrevista ao Esporte Interativo que existiram conversas sobre isso.

“A diretoria do São Paulo me perguntou o que quero fazer da minha vida, porque tem um projeto dentro do clube para mim. Tivemos várias conversas extraoficialmente. Obviamente, o São Paulo quer contar com a minha figura dentro do planejamento do clube. Ainda não tenho decidido se vou parar ou não”

 

Colaboração: Guilherme Dorini.