Acostumado a trabalhar na formação de atletas e na Ásia, o treinador brasileiro Wanderley Cesaretti, com exclusividade para o F4L, aponta suas opiniões sobre o futebol asiático, suas experiências como técnico e opina sobre Neymar ser o melhor do mundo. Atualmente na Pingtan Elementary School, esteve com o pai de Neymar no União Mogi e passou 14 anos no Japão.

O trabalho de Cesaretti está ligado às categorias de base formando jogadores e cidadãos na China e pelo mundo. Convidado pelo governo chinês a estar em Pingtan para cuidar das crianças e do desenvolvimento do futebol, Wanderley aceitou e essa é a sua primeira experiência na China.

Lançada no final de 2013, essa iniciativa de desenvolvimento local é um termo geral para o Cinturão Econômico da Rota de Seda e a Rota de Seda Marítima do Século 21. Será uma rede de infraestrutura e comercial que conecta a Ásia com a Europa e África ao longo das rotas comerciais antigas. A cidade é vista com um grande potencial da região.

“Foi muito legal, fiquei muito lisonjeado em ser o convidado. Eles não podem nos ver parados, querem nos ver trabalhando porque têm sede de crescer”, disse Cesaretti sobre essa ótima oportunidade em sua carreira.

Confira a entrevista completa e exclusiva do treinador para o F4L!

HISTÓRIA COMO TREINADOR

“Quanto à minha carreira de treinador já passei por  todas as divisões do nosso futebol. Nas categorias de base eu passei pelo Palmeiras, Mirassol, Matsubara e Ponte Preta. Pelas categorias principais trabalhei no União de Mogi, Anapolina e Tuna Luso Brasileira. Com isso, pude ter várias oportunidades de trabalho fora do país como nos Estados Unidos, Japão e China”.

TREINAR TIMES EM CRESCIMENTO

“Foram essas as oportunidades para quem não começou como jogador de futebol. Claro que tive boas oportunidades em times de renome nacional, mas por inexperiência, talvez, não soube aproveitar. Mas, na minha opinião, valeu, e entendi (ainda que com atraso) que esse era  o caminho à ser percorrido. Sou grato à Deus por tudo até aqui”.

CONTRATAÇÕES MILIONÁRIAS E PERSPECTIVAS DO FUTEBOL ASIÁTICO

“Eu vejo por outra linha: mais importante do que as contratações milionárias (que na verdade servem apenas no sentido de promover o futebol) são os investimentos em todo o país nas escolas e na base (onde de fato trará o retorno que o governo tanto deseja). Estes investimentos devem ser melhor observados por outros países para que num futuro próximo, o futebol volte à ser um esporte das massas (hoje está muito elitizado). Esta é minha opinião”.

INTERCÂMBIO DE JAPONESES NO MIRASSOL

“Uma oportunidade que o Avispa Fukuoka me deu. Quanto ao processo da ida dos meninos japoneses ao Mirassol, para mim foi gratificante poder recordar meu sentimento do aprendizado (ensinar e aprender), advindo deste pequeno grupo. E aproveito a oportunidade de novamente agradecer ao Mirassol por lembrar de mim e chamar para fazer parte deste projeto”.

NEYMAR PAI E NEYMAR FILHO

“Quanto ao Neymar (pai), trabalhamos juntos no União de Mogi. Acredite, eu posso reconhecer o pai no filho dentro das quatro linhas. Uma personalidade idêntica como atleta profissional e, com certeza se na época houvesse um bom orientador por trás dele, teria voado muito além do que voou. O que acabou alcançando seu sonho no sucesso do seu filho. Ele merece tudo que conquistou. Sem dúvidas, eles merecem tudo que conquistaram até o momento”.

NEYMAR MELHOR DO MUNDO?

“Quanto ao Neymar ser o melhor do mundo, é um prognóstico muito dificil na minha visão. Porque o futebol para o o atacante do PSG fica muito prejudicado diante de todos os seus compromissos comerciais. Deve ser cansativo todo esse trabalho à que ele é submetido”.

JAPÃO NA COPA AMÉRICA

“Em relação à Copa América, seria bom para o futebol que o Japão participasse (o que eu acho muito difícil). Mas não vejo possibilidade disto vir à se concretizar, falta-lhes a humildade do conhecimento e do reconhecimento de que eles ainda não foram à lugar algum (ainda que a maioria de seus jogadores selecionáveis terem boas oportunidades na Europa). Quando eles colocarem os pés no chão e voltarem à um passado recente de que à muito caminho à percorrer na vivência prática de campo, talvez possam voltar à crescer”.