Hoje, aos 20 anos, carrego na memória algumas vagas lembranças referentes ao tricampeonato brasileiro conquistado pelo São Paulo nos anos de 2006, 2007 e 2008. Porém, a Sul-Americana de 2012 eu lembro bem. Afinal, um título conquistado em apenas 45 minutos jogados e muita confusão envolvida não pode ser facilmente esquecido por quem assistiu.

Como torcedora e apreciadora do futebol, sinto muito por ser nova o bastante para não lembrar de 2005: Campeonato Paulista, Libertadores e Mundial de Clubes. Sim, eu assisti essas conquistas depois, incontáveis vezes. Quanta emoção ao ver aquele jogo contra o Liverpool, a defesa do Rogério Ceni na falta do Gerrard… Mas o lamento é por não ter vivido a emoção ‘ao vivo’.

Ao contrário, eu coleciono decepções na bagagem: eliminações precoces em Campeonatos Paulistas, Copas Sul-Americanas e em Copas do Brasil. E em todas elas, geralmente para times de menor expressão. Esse ano inclusive, quem nos mandou de volta para casa na Sul-Americana foi o Cólon, da Argentina. Ano passado, Defensa y Justicia.

E que tal a eliminação – nos pênaltis – nas quartas de final do Paulistão de 2014 para o Penapolense, time que tinha a pior campanha entre os oito classificados? Também não podemos esquecer de 2016, naquele humilhante e inexplicável 4 a 1 para o Osasco Audax. Houve um apagão em campo.

A verdade é que eu poderia passar parte considerável do texto descrevendo situações semelhantes nos últimos dez anos. E, claro, dando um espaço também aos anos lutando para não cair no Campeonato Brasileiro. 2017 que o diga, pois aqueles 47 pontos pareciam nunca chegar. A conta demorou a fechar.

A fase anda tão ruim por aqui que vimos Rogério Ceni, maior ídolo da história do time, pendurar as chuteiras (ou luvas) em 2015 e voltar como técnico no final de 2016 saindo queimado do cargo. Porque, para variar, um desmanche no meio do campeonato atrapalhou o trabalho. O Mito foi apenas mais uma vítima desse ‘planejamento’.

Antes e depois dele, não consigo pensar em nenhum treinador que tenha tido a oportunidade de trabalhar em paz por aqui. E não consigo porque não houve. Domingo (11) foi a vez de Diego Aguirre dar adeus ao comando. Sim! Aquele que devolveu ao São Paulo um espírito que há muito não se via, que nos deixou na liderança em muitas rodadas e nos fez voltar a sonhar em conquistar algo. Com apenas cinco derrotas e faltando cinco jogos para terminar o campeonato.

Aliás, as estatísticas indicam que, na era dos pontos corridos (desde 2003), apenas Muricy Ramalho começou e terminou o ano pelo São Paulo. Em 2010, por exemplo, o time teve quatro treinadores diferentes: Ricardo Gomes, Milton Cruz (interino), Sergio Baresi e Paulo César Carpegiani.

Quem recebeu a bomba agora foi André Jardine, treinador consagrado com as categorias de base. Mas o tempo que ele terá para provar alguma coisa é exatamente o tempo que restaria ao Aguirre: cinco jogos. E se explodir? Quem vem depois? Até quando isso vai ficar passando de um pro outro?

Das coisas boas, posso falar sem medo que o ponto positivo foi – e continua sendo – a torcida. Que abraçou o time nos bons e, principalmente, nos maus momentos. Que colocou 40, 50, quase 60 mil pessoas até, no Morumbi. Em todo jogo, seja qual fosse.

Onde já se viu, um time com tamanha história e grandeza como o São Paulo, estar tantos anos assim? O mesmo time em que até mesmo a moeda já caiu de pé. Que já pintou suas três cores na América e no Mundo por três vezes. Precisamos voltar a ser esse São Paulo, começando pelo espírito.

Nunca deixei de falar com orgulho para qual time eu torço, tanto é que marquei na minha pele a frase ‘tu és forte, tu és grande’. Porque sei que somos. Sempre seremos. Entretanto, não posso negar que, atualmente, a parte do nosso belo hino que mais descreve é ‘as tuas glórias vem do passado’. Quero poder ver essa situação mudar.

E lá vamos nós, mais uma vez na esperança de que as coisas sejam melhores em 2019. Ou que, ao menos, tenhamos uma temporada de paz dentro e fora do campo. O que esperar? Ainda não sei, mas a torcida é sempre pelo São Paulo.