A centroavante Paula Naira Rubio Vicenzo, de 25 anos,é um dos destaques do time feminino do Cruzeiro. Contratada recentemente para disputar o Campeonato Mineiro e a Série A-2 do Brasileiro, nos contou, em exclusividade,como foi o acerto com o clube mineiro, a sua história no futebol feminino brasileiro e sobre o preconceito com a modalidade.

Para a paulistana, a adaptação no clube será da melhor maneira possível, mesmo com as mudanças em seu ritmo devida. Essa é a primeira vez que ela atuará fora do seu estado de origem. Mesmo assim, Paula acredita que irá construir uma história de sucesso em Belo Horizonte e, nesse ano, com a seleção brasileira.

Confira a apresentação do time feminino e a entrevista completa e exclusiva para o F4L com a atacante Paula Vicenzo, abaixo:

O COMEÇO DE TUDO

“O futebol apareceu na minha vida da forma mais inesperada possível. Fui ginasta durante 9 anos da minha vida (ginástica artística), fui campeã Paulista, disputei campeonato Brasileiro apesar da pouca idade e estava sendo observada por técnicos da seleção brasileira. Com 12 anos de idade resolvi parar com a ginástica, que até então era a minha maior paixão e minha mãe, incentivadora do esporte que é,virou sócia de um clube pra que não parasse de praticar qualquer modalidade esportiva. Foi assim que surgiu meu primeiro contato com a bola, através do futsal e no meio dos meninos.

Comecei a jogar campeonatos internos da associação que eu fazia parte e comecei a me destacar. Porém não fazia idéia que tomaria uma proporção tão grande. Até que surgiu uma oportunidade de realizar um teste em um dos melhores times de futsal da época. Realizei o teste, passei e comecei a disputar campeonatos de expressão no cenário nacional”.

“Quem mais me motivou a seguir minha carreira foi a minha família”, disse Paula (Divulgação/Cruzeiro)

PRECONCEITO

“O preconceito é inevitável! Quando minha mãe soube que eu estava jogando bola com os meninos,foi um choque pra ela. Porém isso nunca foi motivo para não ter o apoio da mesma. Independente de qualquer coisa, minha família sempre me deu todo suporte necessário. Já os meus amigos reagiram diferente, porque podíamos jogar bola juntos, ir para as quadrinhas do bairro e brincar.

Infelizmente existem pessoas que ainda tem esse pensamento medíocre de que: ‘futebol é para homem’, ‘lugar de mulher é lavando louça’ e por ai vai. Confesso que quando mais nova isso me afetava muito, hoje em dia não me afeta nem um pouco porque geralmente quem fala isso é porque foi frustado e não conseguiu conquistar o que nós mulheres estamos conquistando hoje”.

MAIOR MOTIVAÇÃO PARA SEGUIR NO FUTEBOL

“Quem mais me motivou a seguir minha carreira foi a minha família, ou seja, meus pais e as minhas irmãs. Eles sempre foram primordiais para que eu nunca desistisse. Sempre me deram todo apoio. Aliás, me dão total apoio e suporte até os dias de hoje”.

PASSAGEM PELAS SELEÇÕES DE BASE

“As passagens pelas seleções sub 17 e sub 20 foram muito especiais pra mim e minha carreira. Principalmente pela sub 17, pois foi quando eu disputei o meu primeiro campeonato de futebol e logo de cara um campeonato internacional. Fomos campeãs e eu fui artilheira com sete gols”.

Paula veste a camisa da seleção brasileira e disputará a Copa do Mundo de 2019 (Divulgação)

SELEÇÃO PRINCIPAL E COPA DO MUNDO

“Com a evolução que o futebol feminino está vivendo, trazer esse título inédito para o nosso País seria de suma importância. Todo mundo está trabalhando duro em seus respectivos clubes para quando tiver uma oportunidade de representar nosso País estar preparada”.

NOVO CLUBE: CRUZEIRO

“Eu escolhi o Cruzeiro primeiramente por ser um clube conceituado e de muita história. O que mais me chamou atenção no projeto foi a estrutura pra uma equipe que está apenas começando e o fato de estarem tratando as atletas devidamente da forma que merecemos, como profissionais. O Cruzeiro assinou minha carteira de trabalho, é a minha primeira equipe com carteira assinada.

Vim pra cá para fazer história juntamente com as minhas companheiras. O elenco é muito qualificado e tem tudo pra começar esse projeto fazendo história”.

A atacante treina com o time para disputar importantes competições brasileiras (Divulgação/Cruzeiro)

ADPATAÇÃO EM MINAS GERAIS, TÉCNICO E LAZER

“A adaptação é desde morar em alojamento e até morar em outro estado. É tudo diferente, o ritmo devida é diferente, mas eu tenho certeza que terei toda estrutura para me adaptar da melhor maneira possível e desenvolver o meu melhor futebol.

Eu espero que ele (Hoffmann Túlio) explore da melhor maneira possível todos os potenciais existentes no elenco. Tenho certeza que ele é a melhor pessoa para estar a frente desse projeto.

Gosto de estudar quando tenho tempo livre. Gosto, também, de assistir séries, ouvir música e ficar a toa, deitada”.