Na última rodada da primeira fase do Goianão 2019, o Itumbiara precisava de uma vitória diante do Grêmio Anápolis, em casa, para se manter na elite do futebol goiano. Com o empate em 2 a 2, o Gigante da Fronteira terá agora que disputar, pela segunda vez nesta década, a divisão de acesso do estadual no ano que vem. A primeira vez foi em 2013.

Campeão da edição de 2008, o Itumbiara encerrou sua participação no campeonato na décima primeira colocação, com nove pontos e 25% de aproveitamento. A equipe tricolor venceu apenas uma partida, empatou seis e perdeu cinco confrontos, marcando nove gols e sendo vazado 14 vezes.

Neste ano, o Itumbiara selou um acordo com a empresa Soccer Stars Marketing Esportivo, que ainda no primeiro turno do goianão, anunciou a dispensa de 16 jogadores, do gestor de futebol profissional, Francisco Araújo e a troca do treinador Júnior Baiano por Vitor Hugo após quatro jogos.

Lucas Lucena, volante e capitão do Gigante na competição, chegou no início deste ano ao clube, e falou com exclusividade sobre a queda do time para a segunda divisão do estado, falha no planejamento, desempenho em campo e apoio da torcida, entre outros assuntos.

Lucas Lucena, volante e capitão do Tricolor da Fronteira (Divulgação)

Confira a entrevista completa do jogador sobre a situação:

O Itumbiara passou por problemas extra campo, com uma mudança de treinador e de praticamente meio elenco no meio do campeonato. Você acha que isso pode ter influenciado no rebaixamento?

“O planejamento pode ter tido sim algumas falhas.Trocar tantos jogadores no meio da competição não nos ajudou a manter uma base,um entrosamento. Talvez nessa parte o extracampo possa ter influenciado negativamente. De resto, temos que encarar que dentro de campo fomos nós, os jogadores, que não trouxemos os resultados. Temos que ser homens, profissionais e admitir a nossa parcela de culpa”.

Mesmo rebaixado o time fez boas partidas, principalmente diante dos grandes do estado. O que você achaque faltou para que tivessem conseguido resultados melhores?

“Conseguimos dois empates, uma derrota de virada e apenas uma outra derrota mais elástica contra eles. Mostramos um bom futebol não só contra os grandes, mas em outras partidas também. No fim, o futebol tem coisas inexplicáveis. Dominamos jogos que deixamos escapar uma vitória por causa de erros nossos, desatenção, ou até mesmo, falta de confiança”.

Em pouco tempo no clube, após a mudança de técnico, você virou capitão da equipe. Conte um pouco como foi isso, e se ficou surpreso.

“Fiquei surpreso pelo pouco tempo de clube e de trabalho com o Vitor Hugo, mas por outro lado, sei do meu potencial, até mesmo numa condição de liderança. Passei por grandes clubes e seleção de base. Sou novo, mas me considero um jogador experiente em alguns aspectos. Porém, sei também que tenho muito ainda o que aprender”.

Foram praticamente todos os jogos como titular, e apenas um fora por causa de suspensão. Foi sua melhor sequência numa competição?

“Com certeza. Tive muita confiança aqui por parte da comissão técnica e torcedores, e isso me ajudou a desenvolver um bom futebol. Ter uma sequência de jogos é muito importante, e graças a Deus, pude ajudar tanto de zagueiro como de volante. Espero manter isso ao longo dessa temporada”.

Você foi bastante elogiado pelos torcedores durante a competição. Ficou um gosto amargo por não conseguir ter salvo o time da queda?

“Muito. A recepção que tive aqui na cidade pela torcida foi ótima. Recebia muitas mensagens após os jogos, me dando força e me elogiando. Fico triste em não ter conseguido retribui-los com uma campanha melhor. Fica aqui apenas meu pedido de desculpas e o meu agradecimento a eles pelo apoio durante esses três meses”.

Você já tem algo acertado para a continuação da temporada com outro clube, ou irá renovar com o Itumbiara?

“Infelizmente o Itumbiara não disputará nenhuma competição nacional, e meu contrato se encerra agora ao fim do Goiano. Recebi algumas sondagens sim, de clubes que jogarão o brasileiro. Como ainda são conversas inicias, não é legal falar em nomes, mas eu e meu empresário estamos conversando e, com calma, vamos analisar o que será melhor para todos”.